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Até cerca de metade do nosso século, todo
o povo se dedicava predominantemente ao trabalho do campo. Produzia-se
essencialmente a uva, o figo e a azeitona. E também havia outro tipo de
produções secundárias, como a amendoeira, a ameixeira, a pereira, o pessegueiro,
a laranjeira, a macieira, a cerejeira, o damasqueiro, a nogueira, a tangerineira
e o limoeiro.
Quanto a cereais, cultivavam-se especialmente o trigo, a aveia, o milho, e,
eventualmente a cevada.
No concelho de Torres Novas a ocupação principal era a agricultura, encontrando
aí ocupação a maior parte da população, seguida a grande distancia pelas outras
actividades fundamentais, a Indústria e o Comércio.
O Concelho de Torres Novas, embora de pequena extensão, pouco mais de 300 km2,
os seus terrenos bem cultivados e aproveitados, enriquecem os mercados locais,
em frutas saborosíssimas, em azeite finíssimo, em vinho, em cereais e é
considerável a sua exportação.
Referindo-se à produção de aguardente de figo, assinala a existência em todo o
concelho de mais de 509 caldeiras de destilação, e na sede uma fábrica
importantíssima de laboração contínua.
Em 1987 já os cereais, as oliveiras e outras culturas começam a substituir os
vinhedos em Torres Novas anunciando a modificação da paisagem agrária.
Surge igualmente uma produção tomateira em Torres Novas. A paisagem agrária
modifica-se a partir da última década do séc. XIX e inicia, no aspecto
produtivo, as características que hoje lhe conhecemos.
Dá-se conta, em 1924, da existência de instituições ou actividades que
incentivavam a agricultura em Soudos, conforme se verifica através dos "Anais
Soudoenses", designadamente:
- Feira Mensal do Gado
- Sindicato Agrícola
- Caixa de Crédito Agrícola
- Mercado Mensal
- Congresswo Aldeão Torrejano
Comércio
Na aldeia de Soudos a vertente comercial
teve efectivamente pontos altos, sendo de destacar os anos de 1940/50. A loja do
Sr. Jacinto constituia aquilo a que actualmente designamos como um autentico
"supermercado", onde de tudo se vendia, e de que dependiam as populações, não só
de Soudos como de outras aldeias limítrofes: Vila Nova, Pé de Cão, Vila do Paço,
Vargos e até de Paialvo e Carrazede. O movimento comercial desenrolava-se não só
a partir dos próprios produtos da região, mas principalmente dos que vinham do
exterior: mercearias, fazendas, ferragens, drogaria, peixe e carne. o
fornecimento dos produtos era normalmente feito a partir de armazéns de Torres
Novas (provavelmente também de Tomar e do Entroncamento), sendo o mercado
semanal de Torres Novas o abastecedor principal, às segundas-feiras, o que
atraía à "Vila" incalculável número de pessoas, nos seus burros ou nas
carroças, quando não era a pé. Tudo tinha movimento desusado, inclusivamente as
tabernas onde obrigatóriamente às suas portas paravam o dono e o citado burro.
A criação de gado, ovelhas, cabras e porcos ocupava também uma boa percentagem
na economia local, abrangendo também a comercialização de leite e queijos.
A Feira do Gado, em Soudos, ao segundo domingo de cada mês, ingaugurada em 05/08/1923, teve sempre naquela época, movimento crescente. Por exemplo em 27/02/1926, registaram-se os seguintes valores: 60 juntas de bois, 400 cabeças de gado lanígero, mais de 200 de gado suíno, e cavalar em grande número. Toda esta actividade proveniente da Feira significa o maior envolvimento comercial...
Do Comércio Bancário também existiu
uma agência, na Casa Lucas Neto, a que recorriam os clientes locais e
circumvizinhos.
Indústria
Algumas senhoras de Soudos dedicavam-se à
actividade da costura, outras à culinária e doçaria, outras ao fabrico de
queijo.
Um número indeterminado de alambiques, lagares e caldeiras, dedicaram-se a uma
não menos valiosa produção de aguardentes e azeites, com o aproveitamento
paralelo dos figos caldeirados para alimentação do gado.
Como digna representante da indústria farmacêutica, existe em Soudos um
magnífico estabelecimento de farmácia, que nasceu já no tempo da "Pharmácia" ou
ainda como "Botica" que simpáticamente serve as populações da aldeia e
arredores, num raio que se prolonga pela freguesia do Paço, e as de Olaia,
Assentiz e Paialvo. As suas instalações, o antendimento e uma boa gama de
produtos para pessoas e animais, constituem o verdadeiro "ex-libris" na nossa
aldeia.
A actividade que, no seu tempo (1940/50) suplantou todas as outras, foi, sem
dúvida, a indústria de tanoaria, a que vários soudoenses dedicaram,
nomeadamente o Sr. Jesuíno Antunes Mendes.